Guia · Custos
Como calcular o CMV de uma cafeteria
A conta em si é simples. O que quase todo mundo erra é qual custo usar — e esse erro faz um mês lucrativo parecer ruim, ou pior, um mês ruim parecer lucrativo.
A fórmula
CMV é o custo dos insumos que saíram junto com a venda. Para um item com ficha técnica, é a soma dos ingredientes na proporção da receita:
Um cappuccino que leva 18 g de café a R$ 90/kg e 150 ml de leite a R$ 5/L tem CMV de R$ 2,37. Vendido a R$ 18,00, deixa R$ 15,63 de margem bruta — um CMV de 13,2%.
O erro que quase todo sistema comete
A conta acima parece trivial até você perguntar: o custo de qual dia?
A maioria dos sistemas guarda um custo por insumo no cadastro e recalcula tudo em cima do valor atual. Isso significa que, quando o preço do café sobe 20%, o CMV de todos os meses anteriores sobe junto — retroativamente.
O efeito prático: você fecha janeiro com 28% de CMV. Em março o leite encarece. Você volta para conferir janeiro e agora ele mostra 33%. Nada aconteceu em janeiro — a única coisa que mudou foi a tabela de preços de hoje. Seu histórico virou ficção.
A correção é congelar o custo no momento da venda. Cada item vendido carrega o custo que valia naquele instante, e nada depois disso o altera. O passado para de se reescrever.
| Mês | Receita | CMV com custo de hoje | CMV congelado |
|---|---|---|---|
| Janeiro | R$ 62.000 | 33,1% | 28,4% |
| Fevereiro | R$ 58.400 | 33,4% | 29,1% |
| Março | R$ 66.700 | 33,6% | 33,6% |
Com custo congelado a leitura é óbvia: o CMV subiu em março, e foi lá que algo aconteceu. Com custo atual, os três meses parecem igualmente ruins e o problema real fica invisível.
O segundo erro: a gorjeta no denominador
Se o total da venda inclui gorjeta e você divide o CMV por esse total, o percentual sai menor do que é. A gorjeta não é receita da operação — ela passa pelo caixa e vai para a equipe. Não gera custo de mercadoria e não deveria participar da conta de margem.
Numa casa com 10% de gorjeta na maioria das contas, a diferença entre as duas fórmulas passa de 3 pontos percentuais de margem. É o suficiente para você achar que um prato é saudável quando ele está no vermelho.
O que fazer com o número
CMV agregado serve para acompanhar tendência, não para decidir. Decisão se toma no nível do item: qual prato tem margem ruim, qual subiu de custo neste mês, qual vende muito com margem apertada.
- Acompanhe a variação, não o valor absoluto. Não existe CMV "certo" de cafeteria — depende do mix entre bebida e comida. Existe o seu CMV, e existe ele piorando.
- Cruze volume com margem. O item que mais aparece na conta com margem apertada custa mais caro que o item de margem péssima que vende três vezes por semana.
- Revise ficha técnica quando o CMV do item sobe sem o custo do insumo ter subido. Normalmente é porção maior do que a receita diz, ou perda que ninguém está registrando.
A OPLYX calcula CMV com custo congelado por padrão, item a item, e mantém a gorjeta fora do denominador de margem. O número que aparece no relatório de hoje é o mesmo que vai aparecer daqui a seis meses. Ver como funciona →
Perguntas frequentes
Qual é a fórmula do CMV de uma cafeteria?
Soma do custo dos insumos de cada item vendido, usando o custo que valia no dia da venda. Para itens com ficha técnica, é a soma dos ingredientes na proporção da receita. O percentual é o CMV dividido pela receita sem gorjeta.
Devo usar o custo atual do insumo ou o da época da venda?
O da época da venda. Usar o custo de hoje reescreve o passado e faz meses bons parecerem ruins quando um insumo encarece depois.
Qual é um CMV bom para cafeteria?
Não existe número universal — depende do mix. Bebida à base de café tem CMV baixo, comida pronta tem CMV alto, então duas casas saudáveis podem ter números bem diferentes. Acompanhe a variação do seu próprio CMV, não uma média de mercado.
A gorjeta entra no cálculo?
Não. Ela não é receita da operação e não gera custo de mercadoria. No denominador, ela infla a receita e faz o CMV percentual parecer menor do que é.
Perda e quebra entram no CMV?
Não no CMV do item vendido — ali entra só o que a receita consumiu. Perda é um custo separado, e mantê-la separada é justamente o que permite enxergar o tamanho dela.
